Autódromo Internacional Nelson Piquet – RJ

 

O Autódromo Internacional Nelson Piquet, mais conhecido como Autódromo de Jacarepaguá, por estar localizado às margens da lagoa homônima, na Barra da Tijuca, é um autódromo da cidade brasileira do Rio de Janeiro.

O autódromo foi inaugurado em 1978 e até 1989 sediou as provas do GP do Brasil de Fórmula 1. A partir de 1995 até o ano de 2004 o autódromo sediou a etapa brasileira do MotoGP. De 1996 até 2000 sediou uma tapa da CART. Para os Jogos Pan-americanos de 2007, o autódromo passou por intervenções para dar lugar ao Complexo Esportivo Cidade dos Esportes, e, portanto, teve sua pista reduzida, deixando de ter a curva norte, uma das mais desafiadoras do circuito. Entretanto, o autódromo ainda possui o circuito “oval”. O autódromo ainda recebe as etapas da Stock Car Brasil.

Autodromo Internacional Nelson Piquet - Rio de Janeiro/BR

Demolição

Em 2008, foi anunciada oficialmente a demolição do autódromo, com o objetivo de abrigar instalações para os Jogos Olímpicos de 2016. Com isso, posteriormente foi criado e aprovado o projeto para a construção do novo autódromo do Rio de Janeiro que ficará localizado no bairro de Deodoro, seguindo os padrões da FIA.

Traçado original

A história de pista de Jacarepaguá.

Inaugurado em Junho de 1978, o então Autódromo da Cidade do Rio de Janeiro foi erguido conforme as exigências da FIA na época, tanto que foi chamado por algum tempo de “Autódromo-Modelo”. O circuito tinha 5.030 Kms de extensão, quase o mesmo traçado de hoje.
Nos primeiros meses de existência, Jacarepaguá recebeu as principais categorias do automobilismo brasileiro da época, e logo o próximo GP do Brasil de F-1 foi levado á essa pista recém inaugurada.

Em Janeiro de 1978 a Fórmula 1 deu uma “pausa” em Interlagos (que na época tinha quase 8 Kms de pista) e disputou esse GP do Brasil no Rio. Fez um imenso calor, infernal até, e com tantas quebras, o herói brasileiro daqueles tempos, Emerson Fittipaldi, deu um show com sua Copersucar! Fez algumas ultrapassagens que levantou a imensa torcida e conseguiu terminar a prova na 2ª posição, atrás da Ferrari do argentino Carlos Reutemann O melhor resultado da equipe brasileira em todos os tempos! Jacarepaguá começou sua história com o pé direito.

Mas em 1979 o GP do Brasil de F-1 voltou á Interlagos, mas Jacarepaguá recebia sempre as categorias de automobilismo brasileiro. Sempre com bom público, afinal, o automobilismo ainda era uma coqueluche na época.

No final de 1980 uma série de acontecimentos e decisões mudou os rumos de Jacarepaguá. A primeira delas é que a FIA considerava o Autódromo de Interlagos muito perigoso com seus 8 Kms de pista, e queria que a prova saísse de lá. O outro acontecimento foi a troca de promotor do GP do Brasil, que passou á ser o húngaro Tamas Rohonyi e o outro fato foi o surgimento da nova estrela do automobilismo nacional: o carioca Nelson Piquet, vice-campeão da F-1 em 1980. Assim logo foi decidido levar o GP do Brasil para o Rio de Janeiro definitivamente.

Em 1981 o GP do Brasil passou á ser em Março, e com chuva o argentino Carlos Reutemann venceu de novo, só que desta vez com a Saudia-Williams. A corrida foi marcada pela briga de bastidores entre os pilotos da Williams, já que era para o então campeão-mundial Alan Jones vencer a prova.

Em 1982 finalmente muito show, como em 1978. Nelson Piquet fazia a 2ª corrida do motor BMW, faz inúmeras ultrapassagens e venceu a prova de forma espetacular. O público até invadiu a pista. Nelson Piquet desmaiou no pódio de tanto cansaço. Porém nem tudo terminou de forma bonita: Uma semana depois a FIA descobriu uma caixa de água no Brabham de Piquet que se esvaziava á medida que o piloto freva, com isso o carro ficou mais leve do que o regulamento e Piquet foi desclassificado da prova. A sorte foi do francês Alain Prost da Renault, que ficou com a vitória.

Mas em 1983 Piquet chegou á Jacarepaguá determinado á vencer e não ser desclassificado. Uma nova corrida com show fazendo ultrapassagens e levantando o público fez Nelson Piquet vencer novamente com a Brabham-BMW. Dessa vez ele não foi desclassificado e esta foi a sua primeira vitória no GP do Brasil, ele que ganharia seu bi-campeonato mundial naquele ano. Foi neste dia também que foi tocado pela primeira vez o “Tema da Vitória” pela Rede Globo, quando Nelson Piquet venceu a corrida. Dia histórico.

Em 1984 um fato pouco percebido por muitos, mas histórico: A primeira corrida de Ayrton Senna na F-1 foi no GP do Brasil deste ano, em Jacarepaguá. O já bi-campeão Nelson Piquet não venceu, quem ganhou foi o francês Alain Prost, com a McLaren-TAG, sua 2ª vitória no Brasil.

Em 1985 outro momento pouco percebido, Ayrton Senna liderou pela primeira vez um GP durante uma volta, ele quebrou, tal como Nelson Piquet. Senna já estava com a JPS-Lotus-Renault e Piquet com a Brabham-BMW. Alain Prost venceu pela 3ª vez no Brasil, e com a McLaren-TAG.

Em 1986 uma corrida que até hoje é muito lembrada pelos brasileiros. Após Ayrton Senna jogar o inglês Nigel Mansell em um guard-rail na primeira volta, perdeu a liderança pouco depois para Nelson Piquet, e assim os dois ficaram até o término do GP. Piquet com a Williams-Honda venceu no Brasil pela 2ª vez, Ayrton Senna com a JPS-Lotus-Renault chegou em 2º. Dobradinha brasileira! A cena mais marcante foi o monento em que os dois seguraram juntos a bandeira brasileira no pódio. Piquet e Senna já eram arqui-rivais nesta época.

Em 1987 Piquet e Senna ameaçaram brilhar, mas não conseguiram. Piquet terminou em 2º com a Williams e Senna com a Camel-Lotus-Honda quebrou. Alain Prost com a McLaren-TAG venceu no Brasil pela 4ª vez, tornando-se o recordista de vitórias neste país.

Em 1988 o Autódromo de Jacarepaguá mudou de nome, passou a se chamar Autódromo Nelson Piquet, em homenagem ao já tri-campeão do mundo. Já no GP do Brasil, Ayrton Senna fez sua primeira corrida com a McLaren no Rio no ano em que seria campeão-mundial pela primeira vez. Embora conseguiu a pole-position, teve problemas no carro no grid, e depois de trocar de carro largou em último. Prost logo assumiu a liderança na largada e não mais a perdeu. Senna foi desclassificado por ter trocado de carro, o que é proibido, e Piquet terminou em 3º com a Camel-Lotus-Honda. Prost com a McLaren-Honda venceu o GP do Brasil pela 5ª vez!  Já era recordista absoluto.

Quando chegou o ano de 1989, Jacarepaguá viveu um incidente que começou a mudar sua história. Nos anos 80 era comum algumas equipes de F-1 virem treinar nessa pista, pois no início do ano era verão por aqui, enqüanto na Europa a neve e o frio acabava por impedir muitos testes, além do mais, muitos deles imendavam os testes com o Carnaval carioca. Neste ano, mais precisamente no dia 15 de março, o autódromo viveu um de seus piores dias. Era um dia de semana onde algumas equipes de F-1 realizavam testes, e de repente a AGS de Philippe Streiff escapa da pista fortemente entre as curvas Cheirinho e Nonato, capota várias vezes e bate. Streiff é atendido ainda no Centro Médico do Circuito e levado de Helicóptero à um hospital na Gávea. Só que uma confusão no atendimento e com o helicóptero causa sérios danos ao piloto francês, que dias depois descobre-se que ele ficou Paraplégico. Esse caso mostra não a falta de segurança de Jacarepaguá, mas sim o despreparo da organização da prova e dos testes para situações emergenciais. Isso é um alerta sério para a FIA.

No GP do Brasil, Senna conquista a pole-position, mas logo na primeira curva bate com Gerhard Berger e acaba o sonho logo ali. Nigel Mansell, estreando na Ferrari vence pela primeira vez no Brasil. Mauricio Gugelmin da March sobe ao pódio em 3º, e conquista seu melhor resultado na F-1.

Mas no fim de 1989 a FIA decide que Jacarepaguá não mais receberá a F-1 á partir de 1990, motivada pela falta de organização dos cariocas e pelo acidente de Streiff. No início de 1990 São Paulo faz uma reforma relâmpago em Interlagos e volta á receber o GP do Brasil de F-1. Assim Jacarepaguá perde seu maior evento.

Nos dois anos seguintes a pista carioca sobrevive. Recebe as categorias nacionais e regionais, mas a cada dia que passa a pista vai ficando ás moscas com o descaso. Em 1993 o autódromo passa á não receber mais a Stock Car, principal categoria brasileira e outras aos poucos vão se debandando. Isso porquê a pista a cada dia que passava ficava cada vez mais abandonada.

Em fins de 1994 é lançado pelo então prefeito César Maia um projeto de remodelação em Jacarepaguá, para “ressucitá-la” do abandono. Em 1995, toda a pista é reformada e o traçado é modificado entre as curvas 1 e 2, é criado um novo trecho. Neste mesmo ano o empresário Jorge Cintra consegue acordo com a CART e anuncia a Rio 400 para 1996. A Fórmula Indy iria correr em Jacarepaguá.

Após a pista ficar pronta em Setembro de 1995, o Mundial de Motovelocidade realiza sua primeira corrida no Rio, vencida por Luca Cadalora da Yamaha, em seguida a Stock Car volta á correr em Jacarepaguá. Só que em seguida o autódromo passa por mais uma grande reforma: A construção do Oval de 3 quilômetros para a Fórmula Indy.

Em 17 de Março de 1996 um dia histórico: A primeira prova da Fórmula Indy no Brasil é realizada, e apesar de alguns problemas pequenos de organização, a prova acontece muito bem. Emoção do começo ao fim, e para coroar este grande dia, o brasileiro André Ribeiro da equipe Tasman vence a prova. Festa geral.

Já em fins de 1996 o Mundial de Motovelocidade realiza sua 2ª prova no Rio, vencida pelo mega-campeão Michael Doohan, da Honda. Jacarepaguá recupera seus grandes dias, com duas categorias importantes do mundo realizando provas anuais, e com todas as categorias nacionais correndo lá novamente.

Quando chega o ano de 1997 a F-Indy volta a realizar sua prova no oval do Rio dessa vez em Maio e a categoria com novo nome (CART). O Rio de Janeiro também tem novo prefeito, Luiz Paulo Conde, um entusiasta das corridas, e que investa no autódromo. Com a primeira fila da corrida da CART ficando com dois brasileiros (Mauricio Gugelmin e Roberto Pupo Moreno), mas na prova eles se batem e o canadense Paul Tracy da Penske vence. Já o Mundial de Motovelocidade realiza a sua corrida em Agosto, com apoio da Rede Globo e novamente Michael Doohan com a Honda vence.

Em 1998 a corrida da já denominada CART foi emocionante, embora entristecedora para os resultados dos brasileiros. Os arrojados Alessandro Zanardi (campeão de 1997) e o canadense Greg Moore travaram a mais espetacular da CART em solo brasileiro. Faltando poucas voltas para o fim, Zanardi é ultrapassado por fora pelo Moore, com os carros emparelhados no Retão e quase se tocando na Curva 1 do Oval. Greg Moore com a Forsythe vence. A corrida do Mundial de Motovelocidade que seria em Outubro foi cancelada por problemas graves no asfalto.

1999 prometia ser diferente para Jacarepaguá, pois tanto a CART como o Mundial de Motovelocidade teriam que mudar suas organizações. No caso da CART logo foi resolvida com a troca de promotor, de Jorge Cintra passou á ser o super-campeão Emerson Fittipaldi. A corrida da CART passou á se chamar Rio 200, com percurso diminuido, e com bastante divulgação a prova até teve algum sucesso. Com a pole ficando com Christian Fittipaldi, o sobrinho do promotor, prometia ser uma corrida emocionante, sendo realizada em um sábado com tempo nublado, mas teve poucas trocas de posições e foi vencida pelo fenômeno recém-surgido: o colombiano Juan Pablo Montoya, da Chip Ganassi. Já o Mundial de Motovelocidade realizou sua etapa em Outubro e foi vencida por Norifume Abe da Yamaha.

Em 2000 o último ano dessa 2ª fase de glórias da pista carioca. A CART realiza a última Rio 200 (na época não se imaginava que seria a última), e apesar da surpresa Alexandre Tagliani ter dominado a prova, ele erra no final e entrega a vitória à Adrian Fernandez, da Patrick, em um ano que os Brasileiros dessa categoria dominaram e ganharam o título com Gil de Ferran. O Mundial de Motovelocidade realizou sua etapa em um sábado de outubro e foi vencida por Valentino Rossi, da Honda, esta foi também a última etapa do Mundial de Motovelocidade no Rio.

No início de 2001 o prefeito recém-empossado, César Maia, decide não gastar mais com as provas do autódromo, e manda cancelar a etapa do Mundial de Motovelocidade e logo começa um processo para cancelar a Rio 200 com um calote. Em menos de 1 mês ele consegue: faz Jacarepaguá perder duas corridas internacionais importantíssimas, e pode estar iniciando um novo período de abandono na pista. Se o passado de 35 anos e meio é glorioso, o futuro é incerto.

Últimos resultados de competições já extintas em Jacarepaguá.
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Publicação: Coletânea pela internet

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